Na terça‑feira, 13 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pela sigla PL, discursou no Grande Encontro do Associativismo, realizado no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo. Em sua fala, afirmou que o modelo de segurança de El Salvador é insuficiente para o Brasil e anunciou a intenção de criar mais de 500 mil vagas em presídios, além de propor a castração de condenados por crimes sexuais.
O candidato citou o presidente salvadorenho Nayib Bukele, cujo governo mantém estado de exceção desde março de 2022. Até agosto de 2025, o regime foi prorrogado 41 vezes, permitindo prisões sem ordem judicial e ampliando o encarceramento em massa. Organizações internacionais de direitos humanos, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, alertaram em agosto de 2025 para prisões ilegais, tortura e mais de quatrocentas mortes sob custódia estatal. A Anistia Internacional também denunciou um padrão sistemático de abusos e a ausência de critérios claros para detenções.
Flávio Bolsonaro declarou ainda que está em contato com o senador Derrite (PP‑SP) para discutir a proposta, afirmando: “Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda. Eu já estou trocando uma ideia com o Derrite porque eu estou achando que El Salvador é pouco”. Ele reiterou que as novas vagas visam prender estupradores e abusadores, que “vão sofrer castração e ficar presos muito mais tempo”. Não foram apresentados detalhes sobre financiamento, cronograma ou órgãos responsáveis pela execução.
A proposta levanta questões sobre sua viabilidade prática e sua compatibilidade com as recomendações de organismos de direitos humanos. Até o momento, não há informações oficiais de ministérios, do Poder Judiciário ou de entidades de defesa dos direitos fundamentais sobre como o plano seria implementado ou fiscalizado. A falta de respostas deixa indefinida a trajetória de uma medida que poderia intensificar o encarceramento no país.
Redação Jornal Voz do Litoral
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