Mercado revê aposta na Argentina enquanto dívida

O risco-país da Argentina voltou a superar os 700 pontos nesta semana e atingiu o maior nível em cerca de um ano. O movimento chama atenção, mas o número sozinho explica pouco sobre o que está acontecendo com os ativos argentinos.

Por trás da piora está uma combinação de fatores externos, movimentos técnicos do mercado e uma discussão que deve ganhar cada vez mais espaço nos próximos meses: como a Argentina chegará a 2027, ano de eleição presidencial e de vencimentos relevantes da dívida em moeda estrangeira.

São mais de US$ 30 bilhões em principal e juros no próximo ano , segundo levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional). A conta inclui compromissos com credores privados e organismos internacionais.

O volume não é um problema imediato de pagamento. Hoje, o país mantém pouco mais de US$ 50 bilhões em reservas. Parte das obrigações pode ser refinanciada e outra parcela envolve o próprio FMI.

O aumento do risco-país das últimas semanas, portanto, não deve ser explicado apenas por essa conta.

Parte importante da alta recente veio de fora da Argentina, avalia Daniel Marcatto, sócio e analista da Exploritas. A abertura das taxas dos títulos norte-americanos e o fortalecimento do dólar pressionaram os mercados emergentes.

A diferença é que a Argentina tende a responder de maneira mais intensa a esses movimentos: “o crédito argentino tem um beta muito elevado”, segundo Marcatto.

Na prática, quando o ambiente piora para emergentes, os títulos argentinos costumam sofrer mais. E o mesmo acontece no sentido contrário, quando há melhora global nas condições financeiras.

Se não bastasse isso, outubro também costuma ser um mês menos favorável para esse mercado.

Marcatto explica que fundos norte-americanos tradicionalmente fazem o rebalanceamento de suas carteiras neste período, antes do início de um novo ano fiscal em novembro. Historicamente, a janela entre dezembro e abril tende a ser mais favorável para títulos de mercados emergentes.

No caso argentino, houve ainda pressão de fluxos locais. Com a retomada das remessas de dividendos ao exterior, empresas argentinas passaram a vender posições em títulos soberanos para levantar caixa e fazer remessas. O fim da restrição retirou do mercado um comprador importante.

Essas tesourarias poderiam comprar papéis argentinos. Agora, parte delas está fazendo o contrário.

Daniel Marcatto diz que mais de US$ 4 bilhões já teriam sido enviados ao exterior nesse processo e que o volume pode ir de US$ 5 bilhões a U

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

Marlon Freitas valoriza classificação do Palmeiras à final: “Sacrifício”