Milhares protestam contra resíduos em Zagreb

No sábado, 5 de setembro, dezenas de milhares de pessoas se concentraram na praça central de Zagreb para protestar contra a inércia do governo na remoção de mais de 30 mil toneladas de resíduos armazenados na região de Lika. O ato, batizado de “Caminhada por Lika”, reuniu manifestantes que carregavam faixas com mensagens como “Os pulmões da Croácia não conseguem mais respirar” e “A natureza não perdoa”. Ambientalistas apontam que os detritos, descobertos no ano passado em quantidade entre 34 mil e 37 mil toneladas, incluem lixo hospitalar e resíduos industriais importados da Itália nos anos de 2023 e 2024, e alegam contaminação do ar, solo e da água potável da região montanhosa. O contexto da polêmica remonta à descoberta de um depósito próximo à cidade de Gospić, na região de Lika, onde o material foi armazenado sem definição clara de destinação. Autoridades locais anunciaram, na ocasião, a intenção de limpar o local, mas grupos ambientalistas denunciam que o progresso tem sido mínimo. O primeiro‑ministro Andrej Plenković visitou Gospić na quarta‑feira, 2 de setembro, e informou que o governo selecionou uma empresa para a primeira fase da limpeza, que consiste na retirada dos resíduos do depósito. Até o momento, nenhum cronograma detalhado foi divulgado. Durante o protesto, a participação de figuras públicas como a ativista Verica Jurnjak, que viajou de Gospić, e o ator Rade Šerbedžija, conhecido internacionalmente, reforçou a visibilidade do movimento. Ambos criticaram a lentidão da ação governamental, ressaltando que a situação já deveria ter sido resolvida há muito tempo. As autoridades ainda não responderam a solicitações de posicionamento da imprensa sobre o prazo de conclusão das obras. A manifestação evidencia a crescente pressão da sociedade civil sobre a gestão dos resíduos em Lika. Enquanto o governo afirma ter tomado medidas, a ausência de um calendário público e a falta de respostas a questionamentos de jornalistas mantêm a população em estado de incerteza. A expectativa é que a empresa contratada inicie a remoção nos próximos dias, mas a falta de transparência impede a avaliação do impacto real da operação. O que falta ao governo para garantir a limpeza efetiva e o monitoramento ambiental da região permanece sem resposta.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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