Autoridades no Nepal deram início ao sepultamento de emergência de centenas de vítimas não identificadas atingidas por fortes enchentes no país. Com o avanço rápido da decomposição dos restos mortais, a administração do distrito de Chitwan cavou sepulturas coletivas nas planícies da região para evitar riscos à saúde pública. No sábado, dia 29, cerca de 96 corpos foram enterrados em uma área florestal, e mais de uma centena de sepultamentos foi programada para o dia seguinte, enquanto equipes de resgate continuam as buscas entre rios e montes de escombros. A tragédia no Nepal foi desencadeada pelo desabamento de uma geleira ao longo da fronteira com a China, gerando uma inundação repentina e catastrófica que devastou diversos vales. Os dados oficiais contabilizam cerca de 750 mortos e mais de 3 mil pessoas que permanecem desaparecidas. Diante do alto volume de vítimas e do estado das estruturas locais, os corpos resgatados são levados para Baratpur, em Chitwan, local definido como cemitério temporário pelas forças regionais sob liderança do chefe distrital Ganesh Arya. Para garantir a identificação futura e resguardar os direitos das famílias, uma força-tarefa composta por cerca de 100 socorristas e policiais atua no registro dos mortos. Os procedimentos incluem a captura de fotografias, coleta de amostras de DNA e a instalação de marcadores de identificação dispostos acima e abaixo do solo. O trabalho forense conta com apoio internacional: a Índia enviou uma equipe especializada para auxiliar nas análises genéticas, enquanto o governo nepalês mantém contato com profissionais da China para integrar as ações de busca e cruzamento de dados. A medida extrema de sepultamento rápido reflete o impacto humanitário e sanitário provocado pelo colapso glacial no Himalaia. Embora os locais de enterramento estejam mapeados geograficamente para permitir futuras exumações caso exames genéticos ou relatos familiares confirmem as identidades, centenas de parentes ainda aguardam informações precisas sobre os milhares de desaparecidos na tragédia.
Redação Jornal Voz do Litoral
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