A Batalha de Okinawa, uma das mais ferozes e letais da Guerra do Pacífico, ainda deixa marcas profundas na ilha japonesa oitenta anos após o conflito. O ‘escavador de ossos’ Takamatsu Gushiken dedica sua vida a encontrar vestígios de pessoas que se esconderam em cavernas durante a batalha. Ele passa grande parte de seu tempo livre em grutas na província mais ao sul do Japão, tentando trazer um desfecho para as famílias das vítimas. A batalha resultou na morte ou desaparecimento de cerca de 240 mil pessoas, incluindo até 100 mil civis, 110 mil soldados japoneses e mais de 12 mil militares americanos e aliados. O poder de fogo norte-americano foi avassalador, com 1,1 milhão de projéteis de obuseiro, mais de meio milhão de granadas de morteiro, 16 milhões de disparos de metralhadora e nove milhões de tiros de fuzil. Gushiken encontrou partes de um crânio, ossos menores e uma bala, o que o levou a hipotetizar sobre o que pode ter acontecido naquele local oito décadas atrás. Ele acredita que uma mãe e seu filho se esconderam na caverna enquanto a batalha se desenrolava do lado de fora, e acabaram sendo pegos no fogo cruzado. A busca por ossos é uma obra de vida para Gushiken, que se motiva pelo fato de que ‘eles são humanos, e eu também sou’.
Redação Jornal Voz do Litoral
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