Oposição apresenta sete pedidos contra Moraes e Gonet

A divulgação de mensagens trocadas entre o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o procurador‑geral da República Paulo Gonet desencadeou uma série de solicitações formais contra as duas autoridades. Em uma ofensiva coordenada, senadores e deputados apresentaram ao menos sete pedidos que incluem impeachment, notícia‑crime e ofícios de exoneração ou afastamento. O primeiro pedido foi protocolado nesta terça‑feira, 1º, pelo senador Carlos Viana (PSD‑MG), que requer o impeachment de Moraes e cita um contrato entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, ligado à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Viana também aponta a participação direta do ministro na edição desses contratos e nas conversas gravadas com Vorcaro. O contexto político já era tenso: o Senado acumula 55 pedidos de impeachment contra Moraes, cujo prosseguimento depende da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), que até o momento não indicou nenhum movimento. O segundo pedido de impeachment foi enviado pelo líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL‑PB), que descreve a relação entre Moraes e Vorcaro como “insustentável”. Paralelamente, ações foram dirigidas ao procurador‑geral Paulo Gonet. Os deputados Marcel Van Hattem (Novo‑RS) e Cabo Gilberto protocolaram um pedido de impeachment contra Gonet, alegando crime de responsabilidade por ter recebido, ainda que indiretamente, recursos do Banco Master e de Vorcaro para participar de um evento em Londres custeado por esses agentes. O mesmo grupo apresentou ainda uma notícia‑crime ao vice‑procurador‑geral da República, buscando iniciar investigação formal. Essas movimentações ampliam a pressão sobre as duas autoridades, mas até agora nenhum dos pedidos recebeu resposta oficial. Enquanto o presidente do Senado permanece inerte, os deputados que solicitaram o afastamento cautelar de Gonet argumentam que tal medida seria necessária para preservar a integridade e a credibilidade do Ministério Público Federal, impedindo possíveis interferências nas investigações em curso. A falta de posicionamento das lideranças do Senado e do STF deixa indefinida a trajetória desses processos, que podem se transformar em procedimentos formais ou permanecer arquivados. A matéria evidencia a lacuna entre a quantidade de solicitações apresentadas e a ausência de encaminhamentos concretos. Quem deve garantir a continuidade das investigações e decidir sobre o afastamento das autoridades ainda não se manifestou, mantendo a população e os órgãos de controle à espera de decisões que ainda não foram tomadas.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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