PF executa buscas contra deputado Cezinha de Madureira

Na sexta‑feira, 14, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no gabinete do deputado federal Cezinha de Madureira (PL‑SP), avançando para a terceira fase da Operação Transparência. A medida, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, foi enviada ao Supremo Tribunal Federal para análise, reforçando a acusação de que o parlamentar seria peça central de um suposto esquema de venda de influência sobre ministros de tribunais superiores. A investigação aponta que o deputado teria usado a posição no Congresso para criar a percepção de que podia interceder junto a magistrados, transmitindo essa ideia a “clientes” interessados em decisões favoráveis. Dois nomes surgem como colaboradores: a advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuka”, então servidora da Câmara dos Deputados, e Valéria Rodrigues Linhares, advogada e esposa do deputado. Segundo a PF, Tuka seria responsável por captar causas, produzir memoriais e outros documentos jurídicos, enquanto Linhares teria a função de redigir, revisar e assinar contratos de prestação de serviços e cessões de créditos que formalizariam os pagamentos ligados ao esquema. O celular de Tuka foi periciado na primeira fase da operação, e o material obtido serviu de base para as novas medidas. Mensagens apreendidas revelam negociações específicas em tramitação no STF. Em um caso, referentes à defesa da prefeita de Beberibe (CE), os contratos previam repasse de R$ 500 mil em caso de decisão favorável. Em outro, ligados à defesa de ex‑secretário de Belford Roxo (RJ), os termos estipulavam repasses de R$ 1 milhão, com aditivos que poderiam chegar a R$ 2 milhões condicionados à revogação de prisão preventiva. Nos diálogos, o deputado utilizava expressões como “já falei”, “despachei sim” e “assunto reforçado agora”, indicando contato direto com ministros. A PF deixou claro que os ministros e juízes citados nos diálogos não são alvos da investigação nem suspeitos de irregularidades. Contudo, a investigação ainda não definiu se haverá denúncia formal contra o deputado ou os advogados, nem esclareceu o destino dos recursos supostamente pagos. A ausência de respostas oficiais deixa em aberto o alcance real do esquema e a responsabilidade final dos envolvidos.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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