Piratas e baleeiros, a partir do século XVI, capturaram milhares de tartarugas‑gigantes nas Ilhas Galápagos, usando‑as como fonte de alimento durante longas travessias marítimas. A resistência das tartarugas, que podiam sobreviver até um ano sem comida ou água, permitia que fossem mantidas nos porões dos navios até que a tripulação precisasse de carne fresca, como relatou Jorge Carrión, diretor de conservação da Galapagos Conservancy. A indústria da baleia cachalote, que fornecia óleo para lubrificantes, iluminação e outros usos, também dependia das rotas que incluíam as Galápagos. Segundo James Gibbs, vice‑presidente de Ciência e Conservação da mesma organização, navios da costa leste dos Estados Unidos e da Califórnia contornavam o Cabo Horn, levavam quase um ano para chegar ao arquipélago e, ao parar, capturavam tartarugas‑gigantes às centenas para suprir a fome das tripulações. Além da extração direta, os humanos introduziram espécies exóticas – ratos, porcos e outros mamíferos – que predavam ovos e filhotes ou competiam por habitat. Em apenas dois séculos, entre 100 mil e 200 mil tartarugas desapareceram das ilhas que Charles Darwin visitou em 1835. Cada ilha possui sua própria espécie de tartaruga, mas a pressão histórica de caça e de espécies invasoras reduziu drasticamente as populações. O relato não indica medidas de controle ou recuperação recentes, deixando aberto o panorama atual da conservação das tartarugas‑gigantes nas Galápagos.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


