PSOL perde sete cadeiras por cláusula eleitoral

A federação PSOL/Rede recebeu quase três milhões de votos nas eleições para a Câmara dos Deputados em São Paulo, mas conquistou apenas seis cadeiras, deixando de ocupar sete assentos que poderia ter preenchido. A regra do Tribunal Superior Eleitoral exige que cada candidato atinja 10% do quociente eleitoral, equivalente a cerca de 35 mil votos, para ser eleito. Apenas seis candidatos do PSOL superaram esse limite, apesar da forte concentração de votos nas lideranças Erika Hilton e Sâmia Bomfim.

Em contraste, a Federação Brasil da Esperança, composta pelos partidos PT, PCdoB e PV, obteve 2,7 milhões de votos e garantiu onze cadeiras no mesmo estado. O resultado evidencia como a federação única dos partidos de esquerda poderia ampliar a presença do PSOL no Congresso, redistribuindo os votos excedentes que, atualmente, permanecem sem efeito nas chapas menores.

Especialistas apontam que a ausência de uma “superfederação” impediu a conversão de votos sobrantes em cadeiras adicionais. O cientista político Renato Dolci destaca que, em uma federação mais ampla, os candidatos com maior votação dos partidos aliados poderiam preencher as vagas não ocupadas pelo PSOL. O advogado Alexandre Bissoli afirma que o gargalo estadual foi decisivo para a perda de cerca de sete cadeiras, reforçando a importância das regras de barreira individual.

A composição da Câmara dos Deputados para 2027 permanece majoritariamente de direita e centro‑direita, com o bloco da oposição liderado pelo PL ocupando mais de 75% dos assentos. Diante desse cenário, permanecem sem resposta as estratégias que o PSOL adotará para contornar a barreira eleitoral nas próximas disputas e se novas alianças federativas serão consideradas para melhorar a representação da esquerda.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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