O recente Marco Legal do Transporte Público Coletivo inaugurou uma nova era regulatória no país, rompendo com a dependência exclusiva das tarifas pagas pelos passageiros. No entanto, o Rio de Janeiro ainda enfrenta gargalos tarifários que isolam sua população dos eixos de alta capacidade. O sistema de trilhos do estado tem elevado potencial operacional, mas a falta de investimentos que estimulem o uso do transporte de massa impõe ao cidadão uma jornada ineficiente, longa e cansativa. A tarifa atual do metrô, fixada em R$ 7,90, é a mais cara do país, e a tarifa dos trens, de R$ 7,60, também é uma das mais custosas. Isso ignora a função social do transporte de grande capacidade e induz o passageiro a buscar soluções menos eficientes e menos sustentáveis. O Estado pode se espelhar em exemplos como São Paulo e Salvador, onde o subsídio público cobre entre 53% e 59% do custo real da operação, garantindo tarifas mais acessíveis e assegurando a manutenção da demanda. Dados de monitoramento de mobilidade urbana frequentemente apontam o Rio de Janeiro entre as cidades com os maiores tempos médios de deslocamento do mundo, ultrapassando uma hora por dia. É necessário que o poder público local enfrenta com pragmatismo os gargalos tarifários e busque soluções para devolver o tempo útil ao cidadão, por meio de redes integradas e integráveis.
Redação Jornal Voz do Litoral
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