Rússia busca acordo de paz, não cessar-fogo

O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta quinta‑feira (24) que a Rússia deseja um acordo de paz com a Ucrânia, descartando a ideia de um cessar‑fogo temporário. A afirmação foi feita após jornalistas questionarem sobre o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Vladimir Putin compareça a uma reunião do G20 em dezembro, em Miami, na Flórida. Peskov afirmou que nenhuma decisão foi tomada sobre o encontro e que ainda é cedo para definir uma agenda, agradecendo o convite dos EUA e indicando que a resposta será decidida em breve.

Além da posição diplomática, Peskov classificou como ilegal e como forma de roubo a decisão da União Europeia de transferir para a Ucrânia receitas provenientes de ativos russos congelados, totalizando 1,4 bilhão de euros, equivalente a mais de R$ 8 bilhões. Na mesma sequência, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em discurso na ONU na quarta‑feira (23), acusou o presidente russo de pretender ampliar a guerra para outros países europeus, inclusive territórios da OTAN, e de empregar soldados de 47 nacionalidades. Zelensky defendeu a adoção de novas sanções contra Moscou e medidas para reduzir as receitas russas que financiam o conflito, alegando que países que mantêm comércio com a Rússia prolongam a guerra.

Na quinta‑feira, ataques com drones e mísseis russos contra a capital, Kiev, e regiões do nordeste da Ucrânia resultaram em oito mortes. Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko informou duas mortes e oito feridos, destacando alvos como uma maternidade e uma fazenda. Um bombardeio a um depósito de vegetais em uma vila da região de Kharkiv matou seis pessoas e feriu outras 12. Na cidade portuária de Odessa, o chefe da administração militar, Serhiy Lysak, relatou danos a uma unidade médica e janelas quebradas em casas e uma escola. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças atacaram instalações de defesa ucranianas, centros logísticos, telecomunicações e embarcações militares.

A contradição entre a retórica de busca por paz e a continuidade de ataques militares levanta dúvidas sobre a real intenção de Moscou. Enquanto o Kremlin ainda não se posiciona sobre a possível reunião entre Trump e Putin, a comunidade internacional observa a disparidade entre declarações diplomáticas e ações de campo. Ainda não há clareza sobre como – ou se – a proposta de acordo de paz avançará diante da escalada de violência.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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