Geovanna Santos, 28 anos, relata ter vivido solidão corporativa ao mudar de emprego, descrevendo isolamento na mesa e exclusão nos almoços. Seu relato ilustra um fenômeno que, segundo levantamento da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros, 47% dos trabalhadores sentem-se sozinhos no ambiente profissional, seja frequentemente ou ocasionalmente. O conceito, explicado por Camilla Pádua da KPMG, refere‑se à sensação de desconexão mesmo rodeado de colegas, decorrente da falta de vínculos significativos e de senso de pertencimento. Outro estudo da Vittude, em parceria com o Opinion Box, aponta que 11,4% dos profissionais em home‑office total apresentam níveis críticos de sofrimento mental, enquanto 30,8% valorizam a interação social como principal razão para preferir o trabalho presencial. Os dados apontam ainda que 78% consideram essencial ter amizades verdadeiras no trabalho, e a nota média de 3,39 em escala de 1 a 5 demonstra a influência das relações na decisão de permanecer ou deixar a empresa. As consequências para a saúde mental incluem crises de ansiedade, síndrome do pânico e sintomas físicos de estresse, como demonstrado no caso de Geovanna, que acabou sendo desligada após apresentar atestado médico. A ausência de processos estruturados de integração e de acolhimento intensifica o isolamento, prejudicando desenvolvimento profissional e retenção de talentos. Embora as empresas reconheçam a importância das conexões, ainda faltam políticas claras para mitigar o isolamento, sobretudo em modelos híbridos ou remotos. A matéria evidencia a lacuna entre a percepção do problema e as medidas efetivas adotadas, deixando em aberto quais estratégias concretas serão implementadas para reduzir a solidão no trabalho.
Redação Jornal Voz do Litoral
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