A relação entre trabalho doméstico e racismo no Brasil é um tema que ganha destaque após o caso de uma mulher de 62 anos resgatada em situação análoga à escravidão em um condomínio de luxo no Ceará. A vítima trabalhava para a mesma família desde os sete anos de idade e não recebeu salário ao longo de 55 anos. Ela limpava a casa, cozinhava e cuidava das crianças, além de não ter tido vida pessoal, não aprender a ler nem a escrever e nunca namorar. Especialistas analisam como o trabalho doméstico ainda carrega marcas do racismo e da herança escravocrata do Brasil. O historiador Arilson dos Santos Gomes afirma que a relação entre trabalho doméstico e racismo só pode ser entendida a partir do período pós-abolição, quando a libertação dos escravizados ocorreu sem estrutura e sem apoio para a população negra. Isso provocou uma ruptura social, com os negros libertos sendo empurrados para trabalhos precários. Os efeitos desse processo ainda aparecem em vários setores.
Redação Jornal Voz do Litoral
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