VEJA aponta que GloboNews espalhou informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro durante campanha eleitoral
Emissora reconheceu o erro e pediu desculpas após comentarista relacionar candidato à Presidência a projeto arquivado há 18 anos. Polêmica ganhou repercussão nas redes sociais e foi explorada por políticos durante a disputa eleitoral.
A revista VEJA publicou hoje, em destaque, uma reportagem apontando a responsabilidade da Globo na disseminação de uma das maiores informações falsas da campanha presidencial de 2026. A publicação, datada de sábado (17), aborda a polêmica envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Segundo a revista, a controvérsia ganhou força após declarações da jornalista Maria Cristina Fernandes, durante participação na GloboNews, que mencionou uma suposta mobilização de setores evangélicos para modificar o reconhecimento religioso de Nossa Senhora Aparecida.
O problema é que o projeto citado não era atual.
A proposta legislativa, apresentada em 2007, foi arquivada em 2008, ou seja, há aproximadamente 18 anos. Não havia, portanto, a tramitação daquele projeto no Congresso Nacional, como a discussão poderia levar o público a acreditar.
Diante da repercussão, a GloboNews reconheceu a informação incorreta, apresentou esclarecimentos e pediu desculpas aos telespectadores.
Flávio Bolsonaro desmentiu envolvimento
O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e sua equipe de campanha negaram qualquer iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Apesar do desmentido e da correção feita pela emissora, a informação continuou circulando nas redes sociais e passou a ser utilizada no debate político.
A VEJA destacou um levantamento realizado por meio da plataforma Brandwatch, ferramenta de monitoramento digital, que identificou parlamentares e outras lideranças políticas que contribuíram para ampliar a repercussão do assunto.
Entre os nomes mencionados estão a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).
A publicação aponta que, mesmo após o esclarecimento sobre o arquivamento do projeto, a controvérsia continuou sendo associada ao candidato.
Quando a informação vira instrumento eleitoral
O episódio levanta uma discussão importante sobre a responsabilidade dos grandes veículos de comunicação, especialmente durante uma eleição presidencial.
Em um momento em que o Brasil enfrenta desafios relacionados à dívida pública, segurança, economia, saúde e geração de empregos, parte do debate eleitoral acabou dominada por uma controvérsia religiosa baseada em uma proposta legislativa antiga e sem tramitação.
O caso também demonstra a velocidade com que uma informação incorreta pode alcançar milhões de pessoas, especialmente quando divulgada por veículos de grande audiência e posteriormente compartilhada por figuras públicas.
A correção de uma notícia é indispensável, mas nem sempre consegue alcançar o mesmo público que recebeu a informação original.
A reportagem da VEJA classifica o episódio como a maior fake news da campanha presidencial, avaliação atribuída à própria revista.
O compromisso com a verdade
A liberdade de imprensa é fundamental para a democracia, assim como a responsabilidade de verificar informações antes de sua divulgação.
O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida reforça a necessidade de rigor na apuração jornalística, principalmente quando notícias envolvem religião, eleições e figuras públicas.
Independentemente das preferências políticas de cada cidadão, a informação precisa prevalecer sobre interesses eleitorais.
Afinal, uma eleição deve ser decidida com base em propostas, resultados, compromissos e informações verificadas, e não em boatos capazes de influenciar a opinião pública.
Escrito por: Ricardo Severino
Fontes: Revista VEJA; GloboNews; Câmara dos Deputados; Poder360; Jornal de Brasília.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Reprodução/GloboNews.


