O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) realizou 10 ocorrências de afogamento entre sexta-feira, 21, e domingo, 23, em cinco municípios do litoral de São Paulo, salvando 16 pessoas. Ubatuba, que integra essa estatística, registrou apenas uma ocorrência no período, com duas vítimas resgatadas com vida. Juntamente com Santos, a cidade figurou entre os municípios com menor índice de afogamentos no fim de semana. Domingo foi o dia mais crítico, com cinco salvamentos envolvendo oito pessoas em todo o litoral paulista. De 1º de janeiro a 23 de agosto, os guarda-vidas do GBMar efetuaram 3.156 salvamentos por afogamento em toda a costa paulista, além de 6.633 ações de prevenção com orientações aos banhistas e identificação de riscos. Em Ubatuba, os dados de afogamentos entre 1º de janeiro e 29 de julho somam 356 ocorrências, com 405 resgates e nove óbitos confirmados. Os registros incluem o período de inverno, antes do aumento sazonal do fluxo de banhistas. Com a proximidade do verão e a expectativa de lotação nas praias, o GBMar reforça a necessidade de atenção às condições marítimas e às orientações dos profissionais. O município prepara a ampliação da estrutura de prevenção com a contratação de Agentes de Guarda-Vidas Temporários (AGVTs), cujas 14 vagas foram preenchidas após processo seletivo concluído em 14 de agosto. O treinamento, iniciado em 27 de julho, teve carga horária diária de seis horas e incluiu estágios operacionais aos finais de semana, abrangendo prevenção de afogamentos, técnicas de salvamento aquático, atendimento a vítimas e procedimentos do GBMar. O curso foi finalizado em 14 de agosto, com formatura realizada na última terça-feira. Durante a cerimônia, o capitão Danilo Pisaneschi, comandante do 3º Subgrupamento de Bombeiros Marítimo, destacou que a região responde por metade dos salvamentos realizados ao longo dos cerca de 650 quilômetros de costa paulista, sendo o Litoral Norte responsável por 200 quilômetros desse trecho. A atuação dos AGVTs em Ubatuba será mantida por até dez meses, estendendo-se além da alta temporada turística, o que amplia a cobertura preventiva em praias sem guarda-vidas permanentes. Apesar dos números positivos no fim de semana, o histórico de afogamentos em Ubatuba revela desafios estruturais. Entre janeiro e julho, foram registradas 356 ocorrências, com nove mortes confirmadas, indicando riscos persistentes mesmo fora do pico turístico. A prefeitura não detalhou medidas adicionais para reduzir esses índices, limitando-se a destacar a contratação dos AGVTs como avanço. A atuação do GBMar, embora eficiente no resgate, depende também de condições climáticas e da adesão dos banhistas às orientações, fatores que extrapolam o controle institucional. A concentração de ocorrências em dias específicos, como domingo, sugere picos de risco associados à aglomeração, mas não há dados que correlacionem diretamente o movimento populacional com a segurança nas praias. O cenário exige não apenas mais profissionais, mas também investimentos em infraestrutura e educação continuada. A formação dos AGVTs, embora abrangente, é temporária e não substitui a necessidade de estruturas permanentes em pontos críticos. Além disso, a ausência de um plano público detalhado para reduzir a mortalidade por afogamento — além das ações pontuais — deixa lacunas sobre a estratégia de longo prazo. Enquanto o verão não chega, a prevenção depende da combinação entre fiscalização, conscientização e condições naturais favoráveis, sem garantias de redução dos riscos já mapeados.
Redação Jornal Voz do Litoral
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