Tenente-coronel preso em esquema de segurança para empresa ligada

O tenente-coronel José Henrique Martins Flores foi preso neste domingo (30) após se apresentar voluntariamente à Justiça Militar, que expediu mandado de prisão contra ele. Ele é acusado de integrar organização criminosa que fornecia segurança privada a diretores da Transwolff, empresa de ônibus investigada por lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Flores era o único entre os quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) que não estava foragido. Segundo a denúncia, o esquema utilizava estrutura e armas da Polícia Militar — incluindo integrantes da Rota — para proteger executivos da empresa. O tenente-coronel gerenciava empresas de segurança em nome de parentes, usados como “laranjas”, e emitia notas frias para mascarar os pagamentos. O capitão Alexandre Paulino Vieira atuava como coordenador operacional, recrutando agentes e negociando diretamente com os diretores da Transwolff. Os sargentos Cezário e Nereu ficavam responsáveis pela escolta armada e logística financeira do esquema. Durante as investigações, a polícia apreendeu R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo na casa de Nereu, que alega pertencer ao empresário Ricardo Barnabé. A defesa de Nereu Aparecido Alves afirma que ele jamais participou de organização criminosa e que os valores apreendidos foram comprovadamente de Barnabé, que apresentou documentação sobre a origem do dinheiro. Os advogados também destacam que a denúncia não analisou a documentação apresentada durante o inquérito. O MPSP, no entanto, sustenta que os policiais sabiam das ligações criminosas da empresa e mantiveram os serviços até o início de 2026. A TV Globo tentou contato com o advogado do tenente-coronel, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O caso expõe a fragilidade de controles internos na Polícia Militar e levanta dúvidas sobre a fiscalização de empresas de segurança privada. Enquanto as defesas alegam irregularidades processuais, a acusação aponta um padrão de conduta que se estendeu por anos, envolvendo agentes de elite da corporação. A prisão de Flores e a movimentação judicial agora devem acelerar as investigações sobre os demais acusados e os vínculos entre a PM e o crime organizado.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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