STF sessão revela racha entre ministros

Na terça‑feira, 15 de julho, o Supremo Tribunal Federal realizou sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento, que deveria tratar apenas do conteúdo das conversas, acabou expondo divergências acirradas entre os magistrados, revelando fissuras internas na Corte. O presidente do STF, Edson Fachin, que também relatoria o caso, abriu a sessão com um discurso que rememorou a trajetória da instituição e pediu “equilíbrio, serenidade e responsabilidade institucional”, lembrando que os ministros são “seres humanos” e, portanto, sujeitos a erros. O relatório da PF, que traz detalhes das trocas de mensagens, foi o ponto de partida para o debate, mas rapidamente surgiram críticas pessoais entre os integrantes da Corte. Logo no início da tarde, o ministro Gilmar Mendes iniciou a primeira ruptura ao questionar a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues, diretor‑geral da Polícia Federal, na semana anterior. Mendes comparou a medida a “afastar o presidente da NASA ou o comandante do Exército”, acusando a ação de falta de noção. Em seguida, pediu que o caso de Moraes fosse julgado conjuntamente com o de Mendonça. A proposta encontrou resistência: o ministro Flávio Dino solicitou vista, encerrando a votação com 4 a 3 contra a sugestão de Mendes. Dois ministros, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, declararam‑se impedidos e suspeitos, respectivamente, de participar da sessão, evidenciando a divisão. Paralelamente, André Mendonça, relator das conversas entre Moraes e Vorcaro, foi alvo de críticas de Moraes, que alegou que haveria testemunhas de que o próprio Mendonça teria pedido a inclusão de seu nome na investigação do caso Master. Mendonça rebateu com um veemente “Mentira, mentira, mentira”, enquanto Moraes acusou o colega de integrar um grupo que “tentou dar um golpe no país” e afirmou que apresentaria advogados e outras testemunhas para comprovar sua versão. A sessão foi suspensa sem conclusão, deixando indefinido como a Corte avançará diante da evidente polarização entre seus membros.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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