O Ministério Público de São Paulo (MPSP) enviou nesta semana ao Tribunal de Justiça Militar de São Paulo (TJM‑SP) um conjunto de informações que podem servir de base para a abertura de inquérito destinado a apurar possíveis crimes cometidos por três coronéis da Polícia Militar. Os oficiais citados são José Augusto Coutinho, ex‑comandante‑geral da PM, Luiz Carlos Pereira Martins e um terceiro identificado apenas como “Patrício”. A remessa foi confirmada à CNN Brasil e refere‑se a uma operação realizada em julho deste ano contra uma rede de financiamento e lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, denominada Janus, foi deflagrada em 21 de julho e resultou na prisão de 11 pessoas suspeitas de integrar o esquema de movimentação de recursos ilícitos. A denúncia original do MP, embora não mencione os coronéis, descrevia uma “corrupção sistêmica de policiais” que interferia em investigações capazes de atingir o sistema financeiro do PCC. Segundo os promotores, os investigados utilizavam a própria facção para resolver disputas particulares por meio de um “tribunal do crime”, envolvendo doleiros, empresários e membros da alta cúpula da Polícia Militar. Conforme a investigação, mensagens interceptadas e planilhas de transações financeiras evidenciaram conversas e intermediações entre os coronéis e os investigados. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins foi apontado como amigo de Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, presos na ação, e teria participado de grupos de mensagens sociais oferecendo mediação de contatos com outras autoridades. O coronel José Augusto Coutinho, ex‑comandante da ROTA, aparece nos diálogos dos investigados, embora o conteúdo específico não tenha sido divulgado. O MP não especificou quais crimes foram atribuídos nem detalhou os documentos enviados. Com o envio dos dados, cabe ao TJM‑SP, por meio da Promotoria Militar, decidir pela instauração formal do inquérito e definir o escopo das investigações. A CNN Brasil tentou contato com o tribunal para obter esclarecimentos, mas ainda aguarda resposta. Até o momento, não há informação pública sobre prazos ou procedimentos que serão adotados, deixando a sociedade sem respostas sobre a extensão das supostas irregularidades envolvendo altos oficiais da Polícia Militar.
Redação Jornal Voz do Litoral
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