A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou, em sua segunda revisão do plano de carga para o horizonte 2026‑2030, um aumento abrupto da demanda prevista para data centers, que passa de 2.157 MW para 5.653 MW. O salto de 3.496 MW implica um custo adicional de capacidade de R$ 7 bilhões por ano, o que corresponde a 13,35% do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e 17,95% do LRCAP.
O crescimento acelerado dos data centers está ligado à expansão global de soluções de inteligência artificial, que requerem processamento contínuo e, portanto, consumo energético ininterrupto. O Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura de Data Centers (Redata) foi criado para atrair esses investimentos ao Brasil, mas o debate regulatório tem se concentrado na definição das fontes de energia que alimentarão as instalações. A proposta de incluir apenas fontes intermitentes, como solar e eólica, levanta dúvidas sobre a capacidade de garantir energia estável nos horários de pico, quando a produção dessas fontes pode cair.
Se o modelo atual não for ajustado, a sobrecarga na ponta do Sistema Interligado Nacional (SIN) exigirá a contratação massiva de reserva de capacidade, cujo encargo de potência tem alto custo e será repassado aos consumidores. O aumento de demanda projetado eleva a conta de luz de todos os brasileiros, mesmo daqueles que não utilizam serviços de data centers, criando um encargo que não reflete a participação direta no consumo desses recursos.
A EPE ainda não detalhou medidas concretas para mitigar o impacto desse crescimento, nem o governo federal apresentou um plano de substituição de fontes intermitentes por alternativas seguras e de baixa emissão. Enquanto a discussão sobre a regulamentação dos incentivos fiscais avança, permanece incerta a forma como os custos adicionais serão distribuídos, deixando consumidores e indústrias à espera de respostas claras.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


