A última iniciativa para conter a crise entre o ministro do STF, André Mendonça, e a Polícia Federal foi a mediação da Advocacia‑Geral da União (AGU). O advogado‑geral da União, Jorge Messias, organizou um encontro entre o ministro da Justiça, Wellington César, e o relator do processo do INSS, André Mendonça, com o objetivo de aliviar a tensão que se instalou entre a PF e o gabinete do ministro. Ainda não há data marcada para a reunião entre Mendonça e o diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues. O embate começou quando Mendonça determinou que Rodrigues fosse excluído do caso e privado de acesso a informações, decisão que o chefe da PF contestou, alegando que a regra de não interferir em inquéritos de subordinados existe há mais de duas décadas. Em 27 de maio, os superintendentes da Polícia Federal emitiram nota conjunta reforçando o compromisso institucional com a Constituição, ao mesmo tempo em que o conflito se aprofundava. O caso em questão envolve o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, cuja sigilo bancário foi quebrado pelo STF e que é apontado como suposto sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde o fim do ano passado. A tensão aumentou quando Mendonça exigiu que a PF juntasse imediatamente aos autos todas as informações e perícias completas do processo, além de exigir comunicação prévia de qualquer afastamento de policiais da equipe investigativa. Em resposta, a PF recorreu à AGU na semana passada, solicitando medida jurídica contra a decisão ministerial, um pedido descrito como inédito. A mediação proposta por Messias visa restaurar a cooperação entre as instituições, mas ainda não definiu quando Mendonça encontrará Andrei Rodrigues para discutir a condução dos três inquéritos que citam Lulinha. A disputa permanece sem solução clara. Enquanto a PF mantém sua posição de não interferência em investigações internas, o STF busca maior transparência e controle sobre o andamento dos processos. A ausência de um calendário para o encontro entre Mendonça e Rodrigues deixa em aberto quem será responsável por desfazer o impasse institucional, mantendo a população e os observadores atentos ao desenrolar da crise.
Redação Jornal Voz do Litoral
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