Durante sua participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, o economista Marcos Lisboa – ex‑secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda – afirmou que o Brasil vive uma “crise decisional”. Ele classificou‑o como um risco para o futuro do país, caracterizando‑o como um processo de construção longa e particularmente perigoso para o rumo nacional.
Lisboa remonta a origem da crise aos anos 1990, quando, segundo ele, as instituições brasileiras começaram a sofrer transformações que romperam com o modelo clássico de Estado de Direito. Nas três últimas décadas, o Judiciário teria ampliado sua atuação, ocupando espaços tradicionalmente reservados ao Legislativo e ao Executivo, sobretudo em decisões que antes cabiam a órgãos técnicos e agências reguladoras.
O economista cita, como exemplos, decisões judiciais na área da saúde que passaram a definir listas de medicamentos, interferindo nas atribuições de agências reguladoras. Ele menciona ainda a intervenção em contratos do setor elétrico, onde o Judiciário teria ignorado a autonomia regulatória. No âmbito político, Lisboa aponta que o Judiciário limitou o debate sobre a reforma política, citando a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara em 2013‑2014 como marco desse processo, intensificado pela deterioração da relação entre o governo Dilma Rousseff e o Congresso.
Para Lisboa, a dificuldade de encontrar uma saída reside justamente na dimensão histórica do problema; ele não vislumbra uma solução clara e deixa em aberto como o país superará essa encrenca institucional. A falta de respostas concretas mantém a população e os analistas em alerta sobre os rumos da governança brasileira.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


