A Assembleia Geral da ONU inicia sua sessão de 2026 na terça‑feira, 21 de setembro, em Nova York. O debate, que reúne representantes dos 193 Estados membros, tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A abertura ocorre em meio a guerras, crises humanitárias, mudanças climáticas e tensões entre grandes potências, reforçando a relevância política do encontro.
O histórico da tribuna da ONU inclui episódios que marcaram a diplomacia internacional. Em 2006, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de ser “o diabo” e afirmou sentir “cheiro de enxofre” na sala. Quatro décadas antes, em 1960, Nikita Khrushchev teria reagido a críticas filipinas batendo um sapato na mesa, gesto que permanece sem registro em vídeo, embora a própria ONU reconheça a dúvida sobre sua veracidade. No mesmo ano, Fidel Castro iniciou seu discurso prometendo brevidade, mas acabou falando por quatro horas e meia, estabelecendo o recorde de discurso mais longo da história da Assembleia. Em 2017, Donald Trump, ao assumir a tribuna, chamou Kim Jong‑un de “homem‑foguete” e ameaçou destruir a Coreia do Norte. Mais recentemente, o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu exibiu um gráfico de risco nuclear iraniano, gerando nova controvérsia.
A temática de 2026, focada em confiança, contrasta com a sucessão de retóricas inflamadas que o próprio órgão tem registrado. Apesar das críticas, a agenda oficial não apresenta medidas concretas para limitar discursos que possam desestabilizar o ambiente diplomático. A ausência de material audiovisual sobre o suposto sapato de Khrushchev evidencia lacunas nos arquivos da ONU, que ainda não esclareceu oficialmente o incidente. Da mesma forma, não há registro de alterações nas regras de tempo de fala desde a maratona de Castro, embora a prática atual limite intervenções a quinze minutos.
Com a sessão em curso, permanece incerta a capacidade da ONU de alinhar seu discurso ao objetivo de restaurar a confiança entre as nações. Até o fechamento desta matéria, representantes da organização não responderam a pedidos de esclarecimento sobre protocolos de conduta e mecanismos de prevenção de confrontos verbais. O que falta é uma resposta institucional que traduza o tema em ações efetivas.
Redação Jornal Voz do Litoral
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