Detenção ‘Alcatraz dos Jacarés’ encerra operações em junho

Em junho de 2026, as operações do centro de detenção conhecido como “Alcatraz dos Jacarés”, localizado nos Everglades, Flórida, foram oficialmente encerradas. O recinto, administrado pelo ICE sob supervisão do Departamento de Segurança Interna (DHS), ficou famoso por confinamentos em jaulas metálicas de 1,30 m por 1,30 m e 2,36 m de altura, onde imigrantes foram mantidos por até cinco horas em temperaturas de cerca de 38 °C. A decisão de fechar o complexo ocorreu meses depois de denúncias de tortura e de uma visita presidencial de Donald Trump em julho de 2025.

O relatório de 34 páginas da Inspetoria‑Geral do DHS, divulgado entre 17 de julho de 2025 e 18 de janeiro de 2026, documentou que 79 imigrantes foram confinados nesses espaços, variando de minutos a horas. Yenier Cruz, imigrante cubano detido por um ano e meio, descreveu a “zona de relaxamento” como um pântano coberto por tela anti‑mosquitos, onde o calor era “horrível”. O governador Ron DeSantis, ao ser questionado, afirmou que as instalações seriam temporárias, enquanto o diretor de comunicação Alex Lanfranconi justificou o uso das celas para detidos com antecedentes criminais violentos.

A filha de outro ex‑detento, Arianne Betancourt, relatou ter tomado conhecimento da “caixa” três dias após a prisão de seu pai e questionou a conformidade das práticas com as normas federais de detenção. O inspetor‑geral do DHS visitou o local em janeiro, mas o departamento declarou não ser responsável pelas operações cotidianas, deixando lacunas sobre quem efetivamente comandava o confinamento. Apesar das declarações de DeSantis de que as normas seriam excedidas, nenhum responsável assumiu a culpa pelas condições descritas pelos detentos.

Com o encerramento das atividades, permanecem sem resposta as dúvidas sobre a legalidade das celas, a extensão dos abusos e a responsabilidade dos órgãos federais e estaduais. O relatório final ainda não esclareceu se medidas compensatórias serão adotadas para os 79 imigrantes afetados. Enquanto isso, organizações de direitos humanos aguardam esclarecimentos que ainda não foram fornecidos pelas autoridades.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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