O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, solicitou nesta terça‑feira, 15 de setembro de 2026, ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre possíveis relações entre o Banco Master, o Instituto Iter – fundado por André Mendonça – e contratos firmados com a prefeitura de São Paulo. O pedido está inserido em ação que discute as regras de funcionamento dos cemitérios privados no estado de São Paulo. Dino aponta, como ponto inicial, a participação de André Mendonça no processo que trata desses cemitérios: em abril de 2025, ao retomar o julgamento, o ministro apresentou voto contrário à manutenção de medida cautelar que restringia o setor, alinhando‑se aos interesses das empresas envolvidas. O relator também destaca que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André, atua na SP Regula, agência reguladora que supervisiona serviços públicos, inclusive a área funerária e cemiterial. Outro elemento citado é o encontro realizado em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. Após essa reunião, o Instituto Iter passou a prestar serviços remunerados ao município de São Paulo, que por sua vez contrata empresas privadas como a Cortel para atuar no segmento funerário. Dino ainda menciona Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero, que trabalhava na Cortel, e aponta que o Instituto Iter teria firmado, sem licitação, contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), vinculada ao governo estadual, para prestação de serviços técnicos na área de formação e gestão educacional. A decisão de Dino não esclarece quem será responsável pela apuração dos fatos, nem quais medidas poderão ser adotadas caso se confirmem irregularidades, deixando em aberto o panorama de possíveis conflitos de interesse entre agentes públicos e privados.
Redação Jornal Voz do Litoral
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