Em sessão extraordinária de seis horas, o Supremo Tribunal Federal não chegou a discutir a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por suposta relação com o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro. A professora de Direito Penal da FGV, Luisa Moraes Abreu Ferreira, avaliou que a estratégia adotada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, “claramente não deu certo”. Fachin tentou limitar o debate ao caso concreto desde o início, criando espaço para declarações de impedimento antes de avançar ao mérito. A tentativa de restringir a discussão acabou se desfazendo rapidamente. Logo após a fala de Dias Toffoli, que se declarou suspeito, foi solicitado um aparte e, a partir daí, praticamente todos os ministros passaram a falar fora do momento reservado para votação. Os trabalhos foram dominados por ataques pessoais e bate‑bocas, exatamente o tipo de interrupção que Fachin pretendia evitar. Essa ruptura impediu que o mérito fosse analisado e que se decidisse se os casos seriam tratados em conjunto ou separadamente. Além do caos verbal, a sessão trouxe implicações para o cronograma da Corte. Luisa Moraes apontou que se torna impossível julgar qualquer coisa no dia 23, data prevista para a discussão sobre a conduta de André Mendonça como relator. A única hipótese para que o julgamento ocorresse seria a apresentação antecipada do voto de Flávio Dino, o que poderia manter um empate no plenário. O pedido de vista feito por Dino foi classificado como “muito curioso”; segundo a professora, esse recurso costuma aparecer quando um ministro ouve argumento de outro e altera seu voto, mas não há indicação de que Dino pretenda mudar sua posição, sugerindo um possível adiamento deliberado da deliberação. A sessão terminou sem nenhum voto registrado e sem decisão sobre o ponto central da investigação. A falta de definição deixa em aberto tanto o futuro do caso quanto a viabilidade do calendário originalmente estabelecido pelo STF, gerando dúvidas sobre os próximos passos da Corte.
Redação Jornal Voz do Litoral
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