Na terça‑feira, 13 de outubro, uma forte tempestade atingiu Santiago e gerou um redemoinho de vento que levantou parte do telhado do Terminal Rodoviário da Alameda, ligado à Estación Central, além de derrubar placas e entortar postes nos arredores. O fenômeno foi registrado em vídeo que circulou nas redes sociais, mostrando detritos girando em círculos acima da rodoviária. Apesar dos danos materiais, não houve relatos de feridos.
Inicialmente chamado de tornado pela população, o evento recebeu a denominação técnica de “gustnado” pela Direção Meteorológica do Chile (DMC). O termo combina as palavras inglesas “gust”, rajada de vento, e “tornado”. Diferente de um tornado, que se forma na base das nuvens e se desloca com elas, o gustnado nasce mais próximo ao solo e sua ação permanece restrita às camadas de ar baixas. Redemoinhos desse tipo surgem quando o ar frio que desce durante chuvas intensas colide com o ar quente que circula próximo ao chão e aos edifícios, gerando pequenos vórtices capazes de alcançar velocidades semelhantes às de tornados.
Em grandes tempestades, a força dessa interação pode levantar poeira, galhos ou detritos, como ocorreu na rodoviária de Santiago. O fenômeno já foi registrado em outros países: em 2011, um gustnado atingiu a Indiana State Fair, nos Estados Unidos, provocando sete mortes e cinquenta e oito feridos. No Brasil, o último caso conhecido aconteceu em 2023, na cidade de Guarapava, Paraná. A DMC destacou que esses eventos são mais frequentes na primavera e no verão.
Até o momento, as autoridades locais não divulgaram medidas de prevenção ou reparos para a infraestrutura afetada, nem explicaram por que o alerta de risco não foi emitido antes da tempestade. A ausência de comunicação oficial deixa a população sem respostas sobre a responsabilidade e as ações futuras para evitar novos incidentes.
Redação Jornal Voz do Litoral
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