Irã condiciona trégua a cumprimento de acordo americano

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou em Bishkek, capital do Quirguistão, que o país retomará imediatamente as medidas recíprocas para cessar as hostilidades caso os Estados Unidos cumpram os compromissos do protocolo de acordo assinado em junho. A declaração ocorre durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), evento que celebra 25 anos do bloco na Ásia Central e reúne 17 chefes de Estado, entre eles os líderes da Rússia, China, Índia, Paquistão e Turquia. As negociações entre Teerã e Washington visavam conter a escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, após ofensivas conjuntas de Estados Unidos e Israel no território iraniano que resultaram na morte do antigo guia supremo, aiatolá Ali Khamenei. O chamado protocolo de acordo de Islamabad previa a interrupção dos combates, mas a trégua durou pouco e o entendimento foi quebrado no início de julho com a retomada das ações armadas entre as partes. Após semanas de trégua relativa em agosto, o cenário militar recrudesceu. As forças dos Estados Unidos atacaram a região estratégica do Estreito de Ormuz na última segunda-feira. Como resposta, o governo iraniano realizou disparos de retaliação contra alvos norte-americanos localizados na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. Apesar das investidas militares recentes, Pezeshkian afirmou publicamente que não é do interesse de Teerã prolongar o confronto armado com Washington. À margem da cúpula da OCX, Pezeshkian cumpre agenda bilateral com o presidente russo Vladimir Putin. O líder do Kremlin também tem reunião agendada com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan para tratar do conflito na Ucrânia, que completa quatro anos e meio sem perspectivas de resolução. As rodadas de negociação promovidas na Turquia e sob mediação americana permanecem sem avanços concretos, mantendo em aberto o desfecho diplomático para ambas as crises globais.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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