A Justiça Federal adiou as audiências de instrução e julgamento de dez acusados que integram uma quadrilha transnacional de fabricação e comércio clandestino de armas de fogo de uso restrito. Os depoimentos, que deveriam ocorrer nesta quinta‑feira (16) e sexta‑feira (17), foram remarcados para iniciar em 6 de agosto. O atraso ocorre após a descoberta, em agosto do ano passado, de uma fábrica clandestina de fuzis AR‑15 em Santa Bárbara d’Oeste (SP) e a apreensão de 183 armas em Americana (SP). Segundo a Polícia Federal, a fábrica utilizava equipamentos de alta precisão, peças resistentes e produzia exclusivamente os fuzis, apesar da fachada de produção de peças aeronáuticas. Foram apreendidos 40 fuzis AR‑15, além de máquinas, ferramentas e moldes capazes de produzir 80 fuzis. A denúncia do Ministério Público Federal lista os dez réus que deveriam depor, detalhando papéis que vão desde chefia da organização até operação de máquinas e transporte de armas para facções no Rio de Janeiro. Entre eles, Silas Diniz Carvalho, apontado como um dos chefes, e Gabriel Carvalho Belchior, responsável pela empresa fachada. Outros acusados foram presos em diferentes fases da investigação, incluindo Anderson Custódio Gomes e Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, cujos registros em vídeo mostram etapas da produção. No início de julho, a Justiça tornou réu Luiz Carlos Siqueira, acusado de receber remessas postais de armas dos Estados Unidos; seu processo segue separado e não participará das audiências de agosto. O adiamento levanta dúvidas sobre a disponibilidade de provas e a estratégia de acusação, enquanto a sociedade acompanha a continuidade de investigações que apontam para ligações entre a produção local e facções criminosas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Redação Jornal Voz do Litoral
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