Na quinta‑feira, 17, a Polícia Federal cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados — Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná, Espírito Santo e Bahia — como parte da décima fase da Operação Overclean, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Kassio Nunes Marques, negou o pedido da PF para que fosse autorizado mandado contra o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto.
Desde o início das investigações, a Operação Overclean tem se concentrado em fraudes envolvendo contratos e emendas parlamentares que, segundo a PF, somam mais de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025, vinculados à Secretaria de Educação de Belo Horizonte. A ação já resultou em buscas contra empresários, agentes públicos e ex‑secretários, como Bruno Barral, ex‑secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, exonerado em abril de 2025 após ser alvo da terceira fase da operação.
A Procuradoria‑Geral da República concordou com o pedido da PF para autorizar os mandados cumpridos nesta quinta‑feira, decisão tomada no início de fevereiro, meses antes do período eleitoral. A PF havia solicitado a autorização em janeiro, e a aprovação da PGR permitiu a execução das buscas em diferentes regiões do país, sem que o candidato ACM Neto fosse incluído.
Além de Bruno Barral, a PF cumpriu mandados contra o empresário baiano José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, indiciado em agosto deste ano por suspeita de participação no esquema, e contra Alex Maciel, sócio de Moura. O ministro Kassio Nunes Marques informou que não comentaria a decisão de negar o mandado contra ACM Neto e declarou‑se impedido de votar em sessão que analisa a possível investigação do ministro Alexandre de Moraes.
A recusa do relator do STF levanta dúvidas sobre os critérios adotados para autorizar buscas em investigação de desvio de emendas, sobretudo quando a PGR já havia concedido a permissão. O que motivou a decisão de Nunes Marques e quais consequências isso pode gerar para o andamento da Operação Overclean permanecem sem resposta.
Redação Jornal Voz do Litoral
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