Renan Santos, empresário de 42 anos e ativista político, anunciou neste sábado sua candidatura à Presidência da República durante um evento em São Paulo. A apresentação marcou a primeira participação do candidato em uma eleição, levando o recém-criado partido Missão – fundado em 2025 – às urnas. O lançamento ocorreu em um ato público, onde o candidato expôs as linhas mestras de seu programa, destacando segurança pública e combate ao crime organizado como prioridades centrais. Nascido na capital paulista, Renan estudou direito na Universidade de São Paulo (USP) sem concluir o curso. Ele lidera o Movimento Brasil Livre (MBL), organização que surgiu em 2014 a partir de protestos que culminaram no impeachment da então presidente Dilma Rousseff. O MBL evoluiu para um partido político, e o Missão representa sua primeira incursão ao pleito presidencial. A trajetória de Renan inclui a fundação do MBL ao lado do deputado federal Kim Kataguiri, reforçando sua identidade como figura de oposição ao establishment político. No discurso de lançamento, Renan Santos citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como inspiração para um discurso de guerra ao crime organizado, defendendo a frase “matar quem roubar”. Entre as propostas apresentadas, destaca‑se o “Livro Amarelo”, documento que contém o chamado “Direito Penal do Inimigo”, mecanismo que classificaria integrantes de facções criminosas como “inimigos do Estado” e eliminaria a presunção de inocência para quem for identificado como tal. O plano também inclui o endurecimento de penas para crimes violentos, a construção de grandes presídios, medidas para acabar com o controle territorial de facções e a criação de frentes de trabalho para reduzir a dependência do Bolsa Família. Outras propostas abrangem a condicionalidade da reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas, a substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta, a extinção da Justiça do Trabalho, a criação de uma reserva nacional em criptomoedas e a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com corte radical de gastos. Apesar da amplitude das propostas, o candidato não detalhou fontes de financiamento nem apresentou respostas de órgãos públicos a questionamentos sobre a viabilidade jurídica das mudanças propostas. Até o momento, nenhuma entidade oficial se manifestou sobre a constitucionalidade do “Direito Penal do Inimigo” nem sobre o impacto econômico das reformas trabalhistas e fiscais sugeridas. A ausência de esclarecimentos deixa em aberto a questão de como as medidas seriam implementadas e quem arcará com os custos associados. Essa lacuna de informação constitui o ponto central que ainda precisa ser esclarecido para que eleitores possam avaliar plenamente o programa apresentado.
Redação Jornal Voz do Litoral
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