A Defesa Civil de São Sebastião inicia nesta quinta-feira (20) o primeiro de uma série de simulados de evacuação em bairros de áreas de risco, com foco em Cambury, na Costa Sul. A atividade, marcada para as 9h no Campo Society Areião, busca preparar moradores para emergências, orientando sobre rotas de fuga e pontos seguros. A concentração das equipes começa às 8h, e após a evacuação, os participantes receberão informações sobre prevenção e a formação de Núcleos Comunitários de Defesa Civil (Nudecs). O exercício, que se estende até aproximadamente 11h, também permitirá avaliar procedimentos e identificar melhorias na atuação conjunta entre poder público e população. O calendário prevê ações em Maresias, Boiçucanga, Vila Sahy, Juquehy, Olaria e Itatinga até dezembro, quando o Morro do Abrigo sediará uma simulação de resgate de vítima como parte do Plano de Contingência (Plancom). A iniciativa, segundo a Defesa Civil, visa ampliar a cultura de autoproteção e reduzir danos em situações reais. A participação da população é destacada como essencial para que os procedimentos sejam assimilados antes de uma ocorrência concreta. A ação ocorre em um contexto de vulnerabilidade histórica em São Sebastião, onde a tragédia climática de fevereiro de 2023 deixou 64 mortos, especialmente na Vila Sahy. Embora a prefeitura não tenha divulgado detalhes sobre o número de moradores envolvidos nos simulados, a Defesa Civil reforça que os exercícios são permanentes e buscam fortalecer a resposta rápida da comunidade. A ausência de justificativas públicas para atrasos em obras de contenção e saneamento, como cobrado por vereadores e moradores, permanece como uma lacuna não respondida pela gestão atual. Os simulados, contudo, não abordam diretamente os problemas crônicos de reassentamento incompleto ou os R$ 200 milhões em débitos da prefeitura com escritórios de advocacia, segundo registros da Câmara. A programação também não menciona ações específicas para fiscalizar o repasse estadual de R$ 1 bilhão para obras de drenagem, cujos atrasos são alvo de cobranças públicas. Enquanto a Defesa Civil treina moradores, a transparência sobre os investimentos em áreas de risco segue como uma pendência aberta.
Redação Jornal Voz do Litoral
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