Na terça‑feira, 22 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na Assembleia Geral da ONU para equiparar os cartéis de drogas ao grupo terrorista Estado Islâmico, afirmando que devem ser assassinados. A declaração foi feita diante de delegados de diversas nações, reforçando a proposta de uso de força militar contra organizações criminosas na América Latina.
O analista internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, interpretou a comparação como parte de uma narrativa que visa legitimar a projeção do poder militar dos EUA na região. Segundo ele, a postura de Trump está alinhada a documentos oficiais norte‑americanos que, no ano anterior, formalizaram uma estratégia de defesa e segurança nacional focada no hemisfério ocidental, incluindo o deslocamento de porta‑aviões e outras embarcações para a área, em detrimento de operações no Indo‑Pacífico e Oriente Médio.
Sant’Anna também apontou uma contradição nos dados de overdose nos Estados Unidos: cerca de 80 mil das 100 mil mortes anuais são provocadas por opioides sintéticos, como o fentanil, cujos insumos chegam da China e são processados no México, enquanto apenas um quinto das overdoses está ligado à cocaína sul‑americana. Ainda assim, a retórica militar concentra‑se principalmente nos países da América do Sul. Logo após o discurso, a iniciativa Escudo das Américas, que reúne 19 países do hemisfério ocidental, anunciou sanções contra 24 organizações consideradas narcoterroristas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, incluindo congelamento de ativos e restrições de visto.
A fala de Trump desloca o foco das verdadeiras rotas de tráfico de opioides para intervenções militares na América do Sul, sem esclarecer os critérios que embasaram as sanções anunciadas. A ausência de respostas oficiais sobre a efetividade dessas medidas deixa dúvidas sobre a estratégia adotada pelos EUA na região.
Redação Jornal Voz do Litoral
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