O governo da Venezuela e a oposição estão próximos de um acordo para transferir as reservas de ouro do banco central, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões, do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve Bank de Nova York, informou o jornal Financial Times nesta sexta-feira (18). Segundo o acordo proposto, o governo interino de Delcy Rodríguez obteria o controle legal sobre o ouro, mas não poderia vender as reservas imediatamente; a reserva poderia ser usada como garantia para empréstimos do governo, inclusive para a reconstrução após os dois terremotos ocorridos em junho.
O Banco da Inglaterra tem retido, por anos, aproximadamente 31 toneladas de ouro venezuelano, alegando não reconhecer a legitimidade do governo do então presidente Nicolás Maduro. A recusa do BoE em liberar o ouro remonta ao início de 2019, quando o governo britânico apoiou a oposição liderada por Juan Guaidó, sob o argumento de fraude na eleição de Maduro. Desde então, o ouro está no centro de uma disputa judicial nos tribunais britânicos e não foi liberado, apesar da captura de Maduro pelos Estados Unidos em janeiro e de um pedido da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, ao rei Charles.
O Federal Reserve Bank de Nova York, o Banco da Inglaterra e o Ministério das Relações Exteriores britânico não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial. O governo venezuelano e a oposição também não foram localizados para comentar. O acordo proposto concede ao governo interino controle legal, mas impõe a restrição de não vender o ouro de imediato, limitando seu uso a garantia de empréstimos. Não há prazo definido para a transferência nem detalhes sobre as condições que o Federal Reserve exigirá.
A reportagem deixa em aberto questões cruciais: como será reconhecido internacionalmente o controle legal concedido a Delcy Rodríguez; quais serão os termos exigidos pelos Estados Unidos para aceitar o ouro como garantia; e quando o metal físico deixará os cofres subterrâneos do Banco da Inglaterra. Enquanto isso, a população venezuelana continua sem acesso às reservas que poderiam apoiar a recuperação econômica pós-desastres.
Redação Jornal Voz do Litoral
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