Na manhã de sábado, 5 de setembro, o ministro Cristiano Zanin enviou ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE‑PR) um ofício solicitando a responsabilização, inclusive criminal, dos envolvidos na divulgação de seus dados fiscais e bancários, anexados ao registro de candidatura ao Senado do ex‑procurador Deltan Dallagnol. O documento foi dirigido ao desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do TRE‑PR, e cópias foram enviadas às presidências do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados surgiram em 2019, quando Dallagnol, então chefe da Operação Lava Jato no Paraná, incluiu os documentos para contestar uma impugnação à sua candidatura. Na ocasião, o juiz Marcelo Bretas autorizou a quebra de sigilo fiscal e bancário de Zanin e de sua esposa, Valeska Teixeira Zanin Martins, sob a justificativa de investigar supostos desvios no Sistema S. Na época, Zanin atuava como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa de Dallagnol afirma que os documentos constavam em reclamações apresentadas por Zanin ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o então procurador, e que tramitavam sob sigilo judicial. Advogados argumentam que a divulgação era necessária para comprovar a elegibilidade de Dallagnol. Posteriormente, a Justiça Federal anulou as quebras de sigilo por falta de provas, e as reclamações contra Dallagnol foram arquivadas sem punição. Após a recente exposição, a relatora Vanessa Jamus Marchi impôs novo sigilo sobre os documentos. O pedido de Zanin levanta questões sobre quem será responsabilizado pela quebra de sigilo de 2019 e como conciliar a transparência exigida nas candidaturas com a proteção de dados pessoais. Enquanto o TRE‑PR avalia o ofício, permanece indefinida a resposta institucional ao vazamento.
Redação Jornal Voz do Litoral
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