Nobel laureada denuncia Trump por ignorar vítimas

Oleksandra Matviichuk, advogada e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2022, acusou em entrevista exclusiva à CNN Brasil a administração do presidente Donald Trump de ter perdido completamente a dimensão do sofrimento humano causado pela guerra na Ucrânia. Matviichuk afirmou que “os negociadores americanos estão interessados principalmente em recursos naturais, nas reivindicações territoriais da Rússia, em interesses geopolíticos, mas não nas pessoas”, reforçando que “as pessoas não são a prioridade desta negociação”. A ativista representa o Centro para as Liberdades Civis, organização ucraniana de direitos humanos. Ela apresentou dados da ONU que indicam que o número de civis mortos ou feridos aumentou 31 % em 2025, e que nos primeiros quatro meses de 2026 o aumento foi de 21 % em relação ao ano anterior. Matviichuk ressaltou que, ironicamente, o primeiro ano das iniciativas de negociação de paz promovidas por Trump se tornou o ano mais letal para civis ucranianos. Segundo Matviichuk, a ocupação russa não se resume à troca de bandeiras, mas inclui desaparecimentos forçados, tortura, estupro, negação de identidade, adoção forçada de crianças, campos de detenção e valas comuns. Ela argumenta que ao tratar territórios ocupados como “espaços vazios”, os negociadores americanos enviam um sinal a Moscou de que a proteção dos civis não é prioridade, o que, segundo ela, pode explicar a escalada recente da violência, inclusive o pior inverno desde o início da guerra em grande escala. A crítica da laureada deixa sem resposta a questão central: quais são os reais critérios que guiam as negociações americanas e como garantir que a vida dos civis ucranianos seja efetivamente considerada? Até que ponto a omissão declarada pode influenciar as próximas decisões de política externa dos Estados Unidos?

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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