STF analisa relatório da PF sobre Moraes

Na terça‑feira, 15, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reuniu‑se em sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) que traz mensagens atribuídas ao ex‑dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes. A sessão foi convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e ocorre em meio a questionamentos sobre a validade do relatório e o alcance da análise feita pelo Supremo. Na véspera do julgamento, Moraes manifestou‑se pela primeira vez, negando qualquer irregularidade e afirmando que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro, nem julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira. O relatório da PF baseia‑se em registros digitais e metadados extraídos do celular de Vorcaro, que incluíam prints de blocos de notas e fotos temporárias. O documento aponta que Moraes teria participado da edição de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro, além de um segundo acordo de R$ 50 milhões com outra empresa do banqueiro. As mensagens recuperadas indicam que Vorcaro enviou a Moraes, dois dias antes de ser preso, a pergunta “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. O banqueiro foi detido na noite de 17 de novembro de 2025, ao tentar embarcar em um jato particular. O relatório também menciona encontros entre Vorcaro e Moraes, inclusive um realizado em 14 de novembro de 2025 na casa do empresário, quando Vorcaro agradeceu ao ministro por uma “dívida de vida”. Além disso, a PF destacou a rede de pagamentos do Banco Master; a pedido de Moraes e com parecer favorável da PGR, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da PET 15645, que detalha essa rede. Durante a sessão, os ministros discutirão se os elementos apresentados justificam a abertura de investigação criminal contra o magistrado. Moraes sustenta que as acusações têm motivação “político‑eleitoral” e configuram tentativa de “vingança” contra sua atuação institucional, afirmando que o relatório da PF “não apontou a existência de nenhum indício de infração penal” de sua parte. O Supremo ainda não se pronunciou sobre a necessidade de aprofundar a apuração ou solicitar esclarecimentos adicionais. A sessão deixa em aberto a questão de saber se haverá pedido de complementação de provas ou se o STF concluirá que o material disponível é insuficiente para iniciar procedimento investigativo contra o ministro.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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