Banco Central corta juros e deixa futuro incerto

O Banco Central anunciou nesta quinta‑feira um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que agora se estabelece em 14%. O comunicado ressaltou que a autoridade monetária ainda não se compromete com os próximos passos, indicando que decisões futuras dependerão de novos dados. Analistas consultados pela CNN Money observaram que a decisão, embora unânime, reflete cautela diante de um cenário doméstico e internacional de incertezas. Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, destacou o balanço assimétrico do BC, apontando que há mais chances de pressão inflacionária para cima do que para baixo, citando expectativas, câmbio e serviços como fatores de risco. O mercado, segundo ele, já aposta em pelo menos mais um corte de juros em 2026, embora o ritmo após esse ponto permaneça indefinido. Marco Caruso, responsável por política monetária e mercados do Santander, enfatizou que o tom do BC deixa “a porta aberta”, sem amarrar decisões futuras, e que a próxima reunião dependerá da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica e da avaliação sobre a restrição monetária ainda compatível com a meta de inflação. Rafaela Vitoria, economista‑chefe do Inter, reforçou que o comunicado dá ênfase à desaceleração da inflação e reduz ruídos em relação à última reunião, mas não menciona cenários alternativos, indicando continuidade dos cortes caso a inflação continue a desacelerar. Gabriel Santos, head de Research da Bloxs, observou que o recado do Copom demonstra pouca visibilidade das próximas decisões, reforçando um sentimento de cautela na política monetária. Assim, embora o corte atual seja concreto, a falta de clareza sobre critérios e prazos futuros mantém investidores e agentes econômicos em estado de expectativa, sem garantias de continuidade ou encerramento do ciclo de ajustes.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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