A Polícia Federal (PF) detalhou, em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma relação de proximidade pessoal e interlocução política entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e executivos ligados ao Banco Master. Segundo a investigação, Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira, conhecido como ‘Guga’. A PF sustenta que esse vínculo também aproximou o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e criou canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master. A PF aponta que há indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição. Entre elas, está a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, que teria seguido o mesmo esquema usado na aquisição de imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Paulo Henrique Costa. A PF também obteve autorização para monitorar a localização aproximada do celular de Jaques Wagner por meio das antenas das operadoras, durante dez dias, antes da operação em 18 de junho. O ministro André Mendonça, relator do caso, justificou a urgência da medida, citando um episódio que ‘agudiza os riscos de vazamento’. A PF descreve a relação entre Wagner e Augusto Lima como ‘longa e duradoura’, com mensagens analisadas pela corporação mostrando encontros entre as famílias, viagens e demonstrações de proximidade. Em outubro de 2023, o senador e a mulher aceitaram convite para passar um fim de semana na chamada Ilha da Paixão, imóvel então sob controle de Augusto. O deslocamento teria sido feito em aeronave. A investigação da PF aponta para uma possível contrapartida à atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master, o que pode ter implicações significativas para a compreensão das relações entre o poder político e o setor financeiro no Brasil.
Redação Jornal Voz do Litoral
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