Mais de 500 refugiados desaparecem em rota marítima mortal

Mais de 500 refugiados rohingya sumiram em julho quando dois barcos desapareceram na costa de Myanmar, segundo o pai de Jani Alom, que perdeu contato com o filho de 15 anos após a última ligação. Alom havia sido sequestrado dois meses antes enquanto retornava da escola no campo de refugiados de Cox’s Bazar, Bangladesh, onde sua família vive há quase dez anos.

Os rohingya, minoria muçulmana apátrida de Myanmar, enfrentam perseguição estatal e foram classificados pelos EUA como vítimas de genocídio. Milhares deles buscam refúgio em Bangladesh e, anualmente, embarcam em embarcações de pesca superlotadas que cruzam a Baía de Bengala e o Mar de Andaman rumo à Malásia ou Indonésia. As travessias, já existentes há mais de uma década, intensificaram‑se nos últimos anos devido à guerra civil em Myanmar e ao agravamento das condições nos campos de Cox’s Bazar, alimentando um lucrativo mercado de contrabando.

Dados da ONU indicam que aproximadamente um em cada sete migrantes não chega ao destino. No ano passado, quase 900 refugiados rohingya foram declarados desaparecidos ou mortos, de um total de cerca de 6.500 tentativas de travessia, conferindo à rota a maior taxa de mortalidade entre todas as rotas marítimas para refugiados e migrantes. Apesar do aumento do fluxo, as autoridades de Myanmar e Bangladesh ainda não divulgaram investigações oficiais sobre os desaparecimentos de julho.

A falta de respostas deixa famílias como a de Nur sem esclarecimentos e evidencia lacunas na proteção internacional dos refugiados rohingya. Enquanto organizações humanitárias cobram transparência e medidas de segurança, permanece incerto quem será responsabilizado por essa tragédia que se repete nas águas do Sudeste Asiático.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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