Nove dos dez acusados de integrar uma quadrilha transnacional compareceram a uma audiência de instrução e julgamento nesta quinta‑feira (6), na Justiça Federal do Rio de Janeiro. A sessão, etapa em que são colhidos depoimentos das partes, foi remarcada para a primeira quinzena de agosto após adiamento das oitivas previstas para 16 e 17 de julho. Uma nova audiência está prevista até 12 de agosto, mas detalhes sobre as próximas diligências não foram divulgados. O caso ganhou destaque em agosto do ano passado, quando a Polícia Federal desmantelou uma fábrica clandestina de fuzis AR‑15 em Santa Bárbara d’Oeste (SP) e apreendeu 183 armas em Americana (SP). Segundo a PF, a empresa utilizava equipamentos de alta precisão e operava sob fachada de produção de peças aeronáuticas, mas fabricava exclusivamente rifles que abasteciam facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Entre as apreensões constaram 40 fuzis AR‑15 e 31 mil peças de arma. A denúncia do Ministério Público Federal descreve o papel de cada um dos dez réus: Silas Diniz Carvalho, apontado como chefe da quadrilha; Gabriel Carvalho Belchior, responsável pela criação da empresa fachada em 16 de maio de 2024; Wendel dos Santos Bastos, que arrendou o espaço e investiu em máquinas; Marcely Ávila Machado, esposa de Silas, que controlava o pagamento de R$ 75,5 mil mensais; e outros que atuaram na usinagem, documentação e transporte das armas. No início de julho, Luiz Carlos Siqueira foi incluído como réu separado, acusado de receber remessas postais dos Estados Unidos contendo mais de 100 peças de arma cada. Ao término das audiências, a ação penal entrará na fase de diligências, porém a Justiça Federal não revelou quais medidas serão adotadas nem os prazos para conclusão. A falta de informações sobre o andamento do processo deixa a sociedade sem respostas claras acerca da responsabilização dos envolvidos e da destinação dos armamentos apreendidos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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