O PT adotou a estratégia de abrir mão de candidaturas próprias a governos estaduais em 2026, visando fortalecer alianças com nomes mais fortes nas disputas locais. Em ao menos 14 estados o partido deixou a cabeça de chapa para apoiar aliados, enquanto em 12 outras disputas manterá candidatos principais, com aliados ocupando vagas de vice‑governador e Senado. Ainda não há definição para Roraima, cuja convenção local ocorre em 4 de agosto. A mudança de estratégia tem origem nas derrotas de 2018 e na vitória de 2022, quando o PT passou a priorizar a Frente Democrática como forma de ampliar a base eleitoral. Historicamente o partido liderava chapas para preservar identidade partidária, mas desde 2022 tem cedido cargos para ampliar a presença nas eleições estaduais. Em 2022, por exemplo, o PT apoiou 14 nomes aliados e lançou 13 candidaturas próprias, refletindo a adaptação ao cenário pós‑Bolsonaro. O cientista político Eduardo Grin, da FGV, afirma que a campanha nacional depende de aliados locais que façam a campanha enquanto o presidente está em outro lugar. Já a professora Luciana Santana, da UFAL, vê continuidade na linha adotada pelo partido desde a redemocratização, destacando a necessidade de preservar a viabilidade das disputas presidenciais. Os estados em que o PT abrirá mão de candidaturas próprias são Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. Nos demais, o partido terá cabeças de chapa em Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e São Paulo. No Rio Grande do Sul, a decisão marca a primeira eleição desde a redemocratização em que o PT não lança candidato próprio; a pesquisa Quaest divulgada em 30 de maio mostra Juliana Brizola (PDT) à frente com 24 % e Luciano Zucco (PL) com 22 %, margem de erro de dois pontos. No Rio de Janeiro, o PT apoia o prefeito Eduardo Paes, mantendo a deputada Benedita da Silva como concorrente ao Senado, replicando a estratégia de 2022 em que o partido cedeu a cabeça de chapa para fortalecer a campanha presidencial. A estratégia ainda deixa indefinido o papel do PT em Roraima, onde a convenção será no dia 4 de agosto, e não esclarece quais contrapartidas o partido receberá em troca das alianças. Especialistas apontam que a escolha de apoiar candidatos mais fortes pode fortalecer a campanha presidencial de Lula, mas a falta de detalhes sobre acordos de vice‑governador ou indicações ao Senado gera dúvidas sobre a real autonomia do PT nas próximas disputas. O que falta são respostas claras sobre os termos desses acordos e sobre como a decisão afetará a identidade partidária nas eleições estaduais futuras.
Redação Jornal Voz do Litoral
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